UX Mobile: 9 Tendências que Estão Transformando Aplicativos e Sites

UX Mobile
🕒 11 minutos de leitura.
Acessibilidade:

Quem usa o celular para resolver praticamente tudo já percebeu uma mudança importante nos aplicativos e sites. Algumas tarefas que antes exigiam vários cliques agora podem ser feitas em poucos segundos. Em outros casos, a diferença está em detalhes pequenos: um botão no lugar certo, uma tela que abre mais rápido ou uma informação que aparece exatamente quando é necessária.

Isso tem relação direta com a chamada UX Mobile, área dedicada à experiência de quem utiliza serviços digitais em smartphones e tablets. O objetivo não é apenas fazer uma página caber em uma tela pequena. É pensar em como uma pessoa toca, desliza, procura uma informação e realiza uma determinada tarefa usando o aparelho.

Essa preocupação ganhou espaço porque o celular também mudou de função. Ele deixou de ser apenas um dispositivo para acessar redes sociais e passou a concentrar pagamentos, compras, conversas, trabalho, entretenimento, estudos e uma série de outras atividades.

Por esse motivo, uma plataforma online precisa considerar muito mais do que a aparência da interface. Velocidade, facilidade de navegação, tamanho dos elementos, segurança e até a quantidade de etapas necessárias para concluir uma ação podem fazer diferença na experiência.

1. Menos informação na tela

Uma tela de celular não oferece o mesmo espaço disponível em um monitor. Parece óbvio, mas esse detalhe ainda causa problemas em muitos sites.

Quando vários botões, banners, menus e avisos aparecem ao mesmo tempo, fica mais difícil identificar aquilo que realmente interessa. O usuário precisa parar e procurar a informação em vez de simplesmente encontrá-la.

É por isso que muitos projetos estão adotando interfaces mais limpas. O conteúdo continua disponível, mas algumas opções ficam escondidas em menus ou aparecem somente quando fazem sentido.

Essa abordagem também ajuda a evitar outro problema: a sensação de que o aplicativo é complicado antes mesmo de ser utilizado.

2. Botões pensados para os dedos

No computador, acertar um pequeno botão com o mouse costuma ser relativamente simples. No celular, a situação é diferente.

Um comando muito pequeno ou colocado perto de outro pode resultar em toques acidentais. Isso é especialmente inconveniente quando a ação não pode ser facilmente desfeita.

O tamanho dos botões, o espaço entre eles e a posição ocupada na tela passaram, portanto, a fazer parte da experiência de navegação.

Também existe uma preocupação com a maneira como seguramos o telefone. Dependendo do tamanho do aparelho, algumas regiões da tela são muito mais fáceis de alcançar com o polegar do que outras.

Uma interface bem planejada leva esse comportamento em consideração.

3. Sites que carregam sem fazer o usuário esperar

Poucas coisas são tão frustrantes quanto tocar em um link e ficar olhando para uma tela que demora a aparecer.

No celular, a situação pode ser ainda pior. Nem sempre o usuário está conectado a uma rede rápida. Ele pode estar utilizando dados móveis, uma conexão instável ou um aparelho mais antigo.

Por isso, otimizar imagens, reduzir arquivos desnecessários e evitar recursos que não acrescentam nada à página são medidas que interferem diretamente na experiência.

A velocidade também muda a percepção sobre o próprio serviço. Uma página que responde rapidamente transmite uma sensação diferente daquela que demora vários segundos para apresentar seu conteúdo principal.

4. Conteúdo que se adapta ao comportamento

Outra mudança interessante está na maneira como os aplicativos organizam as informações.

Em vez de mostrar exatamente as mesmas opções para todas as pessoas, determinados serviços conseguem destacar aquilo que provavelmente será mais útil para cada usuário. Um aplicativo de compras pode exibir produtos relacionados a pesquisas anteriores. Uma ferramenta de música pode colocar determinadas playlists em evidência. Um serviço financeiro pode facilitar o acesso a operações utilizadas com frequência.

Isso economiza tempo.

Mas existe uma linha que não deve ser ignorada. Personalização demais pode transformar uma interface simples em algo difícil de compreender. O usuário precisa continuar sabendo onde está e quais opções possui.

5. Inteligência artificial entrando na experiência

A inteligência artificial é uma das mudanças que mais chamam atenção atualmente, mas sua utilização em UX vai além de simplesmente colocar um chatbot dentro de um aplicativo.

Sistemas de IA podem ajudar na pesquisa de informações, interpretar perguntas escritas de maneira informal, resumir conteúdos, sugerir ações e adaptar determinadas respostas de acordo com o contexto.

Imagine, por exemplo, alguém procurando uma função específica dentro de um aplicativo. Em vez de abrir vários menus até encontrá-la, essa pessoa poderia escrever o que pretende fazer e receber uma orientação diretamente.

Esse tipo de interação também começa a aparecer em produtos digitais ligados ao entretenimento. As experiências que combinam conversação, personagens virtuais e jogos são um exemplo dessa aproximação entre IA e interação digital. É nesse espaço que surgem conceitos como AI chat bot games, nos quais a conversa passa a fazer parte da própria experiência.

A tecnologia, entretanto, não resolve tudo sozinha. Um recurso de inteligência artificial que demora para responder, interpreta mal uma solicitação ou aparece em uma situação na qual não é necessário pode acabar atrapalhando.

6. Aplicativos tentando prever o próximo passo

Imagine abrir um aplicativo e encontrar justamente a função que você costuma utilizar naquele horário ou depois de determinada ação.

Esse tipo de experiência é possível graças à análise de padrões de utilização. O sistema observa determinadas interações e pode reorganizar parte da interface para facilitar ações recorrentes.

Há situações em que isso é bastante útil. Quem utiliza frequentemente uma determinada função não precisa necessariamente passar pelo mesmo caminho todas as vezes.

Ao mesmo tempo, existe uma questão importante: prever o que o usuário provavelmente fará não significa decidir por ele.

Uma interface deve facilitar uma escolha, e não esconder alternativas simplesmente porque o sistema acredita saber qual será a próxima ação.

Em determinadas situações, inclusive, um impedimento semiautomático pode aparecer para impedir que uma ação seja concluída imediatamente. Isso pode acontecer quando existe risco de exclusão de alguma informação, envio equivocado ou outra operação que merece uma confirmação.

7. Acessibilidade deixando de ser detalhe

Durante muito tempo, a acessibilidade foi tratada como uma preocupação separada do desenvolvimento convencional. Hoje, ela está mais presente nas discussões sobre experiência do usuário.

Um aplicativo precisa funcionar para pessoas com diferentes formas de interação. Isso envolve desde usuários que precisam aumentar o tamanho do texto até aqueles que utilizam recursos de leitura de tela.

Contraste, tamanho das fontes, identificação correta dos campos, descrição de imagens e organização das informações podem fazer uma diferença enorme.

E há um detalhe interessante: recursos criados pensando em acessibilidade muitas vezes melhoram a utilização para todo mundo.

Um texto bem organizado, por exemplo, é mais fácil de ler tanto para uma pessoa com alguma dificuldade visual quanto para alguém que está tentando consultar rapidamente uma informação enquanto está fora de casa.

8. Experiências diferentes dependendo do contexto

O mesmo aplicativo pode ser utilizado em situações completamente diferentes.

Uma pessoa pode acessar uma loja virtual sentada tranquilamente em casa. Outra pode estar procurando um produto enquanto caminha. Alguém pode consultar uma informação em um ambiente silencioso, enquanto outro usuário pode estar em um local movimentado.

Isso faz com que o contexto tenha importância.

Interfaces que utilizam notificações, localização, histórico de uso ou outras informações disponíveis podem adaptar determinados elementos conforme a situação.

Claro que isso precisa ser feito com cuidado. Quanto mais dados são utilizados para personalizar uma experiência, maior é a necessidade de transparência sobre sua utilização.

9. Segurança sem transformar tudo em burocracia

Segurança costuma exigir algumas etapas adicionais.

O problema aparece quando essas etapas começam a atrapalhar operações simples. Se o usuário precisa passar por uma sequência exagerada de telas para realizar uma tarefa cotidiana, existe um conflito entre proteção e praticidade.

Por outro lado, determinadas ações realmente precisam de uma confirmação extra. Alterar uma senha, movimentar dinheiro ou modificar informações importantes são exemplos de situações nas quais uma camada adicional de segurança pode fazer sentido.

O desafio da UX está justamente aí: proteger sem criar obstáculos desnecessários.

Mensagens claras ajudam bastante. Em vez de apresentar um aviso genérico, a interface pode explicar o motivo da confirmação e informar exatamente o que o usuário precisa fazer.

O que essas mudanças têm em comum?

Apesar de serem diferentes, as tendências de UX Mobile seguem uma direção parecida: diminuir o esforço necessário para realizar uma tarefa.

Isso pode acontecer de várias maneiras. Às vezes, a solução é eliminar um botão que não serve para nada. Em outras situações, é melhorar a velocidade da página, reorganizar um menu ou permitir que uma pessoa encontre determinada função por meio de uma busca.

A inteligência artificial acrescenta novas possibilidades, enquanto recursos de acessibilidade ampliam o número de pessoas que conseguem utilizar um serviço.

Não existe, portanto, uma fórmula única para criar uma boa experiência mobile.

Um aplicativo bancário tem preocupações diferentes de uma rede social. Uma loja virtual funciona de maneira diferente de um aplicativo de transporte. E um serviço de entretenimento não precisa necessariamente utilizar a mesma estrutura de uma plataforma de produtividade.

UX Mobile não significa apenas deixar o site responsivo

É comum associar UX Mobile apenas à adaptação de um site para celulares. Embora o design responsivo seja importante, ele representa apenas uma parte do problema.

Uma página pode se adaptar perfeitamente ao tamanho da tela e ainda ser desagradável de usar.

Um formulário com campos demais continua sendo cansativo. Um menu mal organizado continua sendo confuso. Uma página lenta continua sendo lenta. E um botão colocado em uma posição ruim continua sendo difícil de tocar.

A experiência começa justamente quando essas questões são analisadas como um conjunto.

O usuário percebe quando algo foi bem planejado

Curiosamente, uma boa UX muitas vezes passa despercebida.

Quando uma pessoa encontra rapidamente o que procurava, conclui uma compra sem dificuldades ou consegue realizar uma operação sem precisar pensar muito sobre os próximos passos, dificilmente ela para para analisar o design daquela interface.

Ela simplesmente utiliza o serviço.

É quando algo dá errado que os problemas ficam evidentes: um botão que não responde, uma informação escondida, uma tela que demora para carregar ou uma etapa que não parece ter motivo.

Por isso, melhorar a UX Mobile não significa necessariamente adicionar recursos. Em muitos projetos, o trabalho mais importante pode estar justamente em retirar aquilo que está atrapalhando.

Conclusão

A experiência em celulares está mudando porque a relação das pessoas com os dispositivos também mudou. O smartphone passou a acompanhar praticamente todas as atividades digitais do dia a dia, e isso aumentou a expectativa por serviços rápidos e fáceis de utilizar.

Interfaces mais simples, botões adequados ao toque, carregamento rápido, personalização, inteligência artificial, acessibilidade e segurança fazem parte dessa transformação.

Mas acompanhar as tendências não significa colocar todas elas dentro de um aplicativo.

Antes de adicionar uma nova função, é necessário entender se ela realmente resolve alguma dificuldade. Uma interface cheia de novidades pode ser muito menos agradável do que outra com poucos recursos, mas bem organizados.

No final, a melhor experiência mobile é aquela em que o usuário consegue fazer o que precisa sem precisar lutar contra a própria interface.

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